Pneumonia eosinofílica – Síndrome de Löffler.

Atualização do último caso clínico postado dia 18/10/2012   Mudança do Raio X.

Paciente  masculino, 41 anos, renal crônico de provável etiologia hipertensiva, em uso regular de anilodipina e clonidina, tabagista e etilista importante, cursando há 15 dias com queixa de tosse produtiva com hemoptise e leve dispnéia que pioravam em decúbito dorsal,associado a  perda ponderal. Referia ainda alguns episódios de sudorese vespertina. Nega episódios semelhantes prévios. Nega febre no período. Sem dados significativos no interrogatório sistemático.

Ao exame: descorado (+/4+),, acianótico anictérico.PA: 140 x 100mmHg   FC: 100 bpm    FR: 24irpm; sem sinais clínicos de hipervolemia, exame segmentar sem alteração.

Dados relevantes da história clínica e da imagem radiológica.

-Paciente renal crônico em programa regular de hemodiálise(HD), 3 vezes por semana e  as radiografias foram feitas após HD.

-Paciente não refere febre e apresenta perda ponderal, sudorese vespertina de início recente; 15 dias de dispnéia, tose e  hemoptise.

Investigação diagnóstica

O primeiro pensamento para este paciente seria um edema pulmonar por hipervolemia ou disfunção  do VE,  já que é hipertenso de longa data e renal crônico.O raio X é compatível com esta hipótese, pois temos infiltrados perihilar bilateral.

Dados que falam contra congestão

1.Paciente não apresenta outros sinais clínicos como edema periférico, estase de jugular, cardiomegalia ao raio X e  ausculta pulmonar sem alterações.

A presença desses sinais nos ajudaria muito, mas sua ausência nos afasta desta hipótese?

Eles isoladamente não tem muito valor, mas aqui  não encontramos nenhum desses achados no exame físico, tornando a possibilidade de congestão pouco provável.

2. As imagens foram feitas após HD e  em três dias houve resolução completa dos sintomas e da imagem e  sem nenhuma terapêutica específica.

O que poderia desaparecer em 3 dias?

Infeção?

Bacteriana não costuma melhorar sem tratamento, assim como as infecções por fungos.
Viral? Pode acontecer

Parasitásia?

Os parasitas com ciclo pulmonar,  suas larvas podem atingir os pulmões causando tosse, hemoptise, dispnéia e febre e sibilos.Eles induzem uma pneumonia  eosinofílica transitória. O raio X pode mostrar infiltrados que variam em tamanho, caracteristicamente são migratórios e podem tornar-se confluente nas áreas perihilares e limpar-se espontaneamente.

São eles: Ascaris lumbricoides, ancilostomídeos e Strongyloides stercoralis

Neste caso o hemograma mostrou eosinofilia (maior que 10%) sendo a pista para a pesquisa destes parasitas.Encontramos o Strongyloides stercoralis e foi dado ivermectina.

Alguns pacientes com a estrongiloidíase crônica podem apresentar episódios recorrentes de febre e pneumonia leve, produzindo uma imagem que se assemelha a pneumonia bacteriana recorrente.Pacientes com estrongiloidíase crônica também podem desenvolver asma que, paradoxalmente, piora com o uso de corticosteroide.

 

 

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