Mudando a direção do pensamento.


pense-diferente

Discussão referente ao post    Uma Simpática Síndrome .

O caso clínico do último post, de uma paciente diabética  de 57 anos com  1 semana  febre, dor intensa em tornozelo e pé esquerdo, associado a edema, hiperemia.Com esses dados e a imagem apresentava , o primeiro pensamento é realmente de uma quadro infeccioso ( celulite ou artrite séptica) e não está errado pensar desta forma, introduzindo imediatamente antibióticos, pois sabemos a gravidade e evolução de uma infeção sem antibióticos. Isto realmente foi feito, com solicitação de culturas e exames de hemograma e bioquímicas gerais.

O que tem de diferente neste caso?  A Evolução! Como é importante entender a evolução das patologias o que esperar das nossas intervenções?

Durante a evolução houve pouca melhora e refazendo a história clínica, mais uma vez a paciente nos deu o diagnóstico.

Referiu dor intensa ( desproporcional ao quadro inflamatório) , em queimação, sudorese local e muita dificuldade em movimentar o membro, além disso apresentava ALODÍNIA. Neste caso como foi importante caracterizar bem a dor referida pela paciente e os sintomas associados, pois fez a diferença na suspeita diagnóstica e conduta. Devemos acreditar nas queixas dos pacientes e encontrar uma explicação. Esses sintomas não são esperados em uma celulite já em uso de antibiótico adequado.

Portanto foi pensado em SÍNDROME DOLOROSA REGIONAL COMPLEXA ( nome mais recente desta patologia)

Outras denominações= Atrofia de Sudeck,  algoneurodistrofia,  síndorme ombro-mão( inicialmente descrita nos MMSS)  causalgia, distrofia simpática reflexa.

O que mais chama atenção nessa  síndrome é a dor desproporcional ao estímulo – a alodínia

Alodinia, do grego allo (outro) e odyne (dor), envolve uma mudança no sentido da  dor. Estímulos que normalmente não provocariam tanta dor.

A dor ( presente em 90% dos casos) vem acompanhada de sintomas vasomotores, anidrose ou hiperidose, alterações de temparatura, sensação de frio. Essas alterações são muito específicas para esta patologia. E o diagnóstico é basicamente clínico. Dos exames complemantares importantes,  a cintilografia óssea é a mais específica.

cintilo

Cintilografia realizada nesta paciente

Evolução da paciente: após a discussão e a suspeita da síndrome dolorosa regional foi instituido tratamento com corticoterapia(0,5mg/Kg/dia) por 7dias e gabapentina(inicialmente 900mg/dia)  com melhora sintomáticaapós 24 horas do inicio dos medicamentos,sendo  orientado também fisioterapia motora.  A paciente recebeu alta assintomática,com orientação para acompanhamento ambulatorial.

Após tratamento

apos tratamento

 Após tratamento

 Mais sobre essa síndrome no post em apresentação de slides   Síndrome Complexa Regional.

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