Concluindo.

Esse caso do último post É só um derrame pleural? foi apresentado na sessão de  casos  clínico do HSA,  e vou tentar resumir os comentários dos que estavam presentes e que  foram muito parecido com todos os postados  aqui no blog.

Agora  vou tentar  organizar  o pensamento.

O que temos de diferente neste caso?

A história e o exame físico nos leva a pensar na síndrome de insuficiência cardíaca congestiva, como todos comentaram. Essa  síndrome pode ter várias etiologias, desde doenças que afetam o miocárdio, o pericárdio ou as valvulopatias. Dentre essas possibilidades, a mais provável é o acometimento do pericárdio, as manifestações são mais de IC direita, pouca dispnéia,  sem congestão pulmonar ao raio x, sem sopros importantes nem história compatíveis com valvulopatias.

Outros dados do exame físico que chamam a  atenção são os achados pulmonares, caracterizando uma síndrome de derrame pleural a esquerda- o que se confirma no raio x.

O estranho é que o derrame da IC é bilateral ou mais  a direita.Então não vamos atribuir esse derrame a IC, pensamos então que existe um comprometimento  primário da pleura.Logo estamos diante de um comprometimento pleural e pericárdico , o que já caracteriza uma poliserosite.

Agora ao invés de pensarmos em causas etiológicas de IC, mudaremos nosso raciocínio para causas de poliserrosite.

Tuberculose é uma causa importante no nosso meio( AINDA!!).

Outras causas são: neoplasia, doenças do colágenos como LES, doença de Still.

Aqui o restantes dos exames que confirmam a nossa impressão para o caso.

Exames referentes ao caso clínico anterior, do post  É só um derrame pleural?

Infelizmente não temos as imagens completas da TAC de tórax, apenas esta.

Temos o laudo: Estruturas vasculares do mediastino de calibre normal. Sem lifonodomegalias. Volumoso derrame pleural livre a esquerda, coexistindo atelectasia compressiva nos segmentos pulmonares adjacentes.

E já deixo também o laudo do ecocardiograma( não temos as imagens):VE com disfunção sistólica de grau moderado com alterações de contratilidade segmentar; acinesia de região apical de VE; Presença de derrame pericárdico antigo, com intensas trabeculações medindo 2,6 cm em parede lateral, 1,5 cm em parede posterior, 3,4 cm em paredes livres de câmaras direitas, com sinais de pericardite constrictiva. FE: 43%

Análise do liquido pleural:   ADA: 14   glic: 137   Cel: 1600    seg: 8%   linf: 93%   amilase:  46   LDH:  311   PT: 4,2    alb: 1,8    glob: 2,4
Não temos biopsia de pleura nem do pericárdio que seriam os exames definitivos, mas a possibilidade de ser realmente tuberculose é muito alta e foi tratado para tal condição com boa resposta.
FacebookTwitterGoogle+