A VELHA HISTÓRIA

TEXTO ENVIADO POR LICURGO PAMPLONA.
Nos tempos atuais, a vida foi envolvida por tecnologia; estamos cercados de aparelhos eletrônicos, dispositivos tecnológicos cada vez mais modernos e acessíveis e a medicina não ficou fora desta onda.A prática médica dispõe de um grande número de aparelhos de imagem, exames de laboratório, técnicas de imunologia, biologia molecular, etc., que aumentou em muito as opções de exames complementares- e aqui cabe o primeiro parêntese: a palavra complementar tem como significado -que serve como complemento; que completa.Eles estão como complemento às suspeitas diagnósticas feitas a partir  de uma história clínica e exame físicos bem feitos e um raciocínio clínico adequado, e este blog que tem objetivo de ser um fórum de discussão clínica e de exercitar a bela arte do raciocínio clinico , acho que é pertinente expor este comentário.
Hoje o que vejo, no dia a dia da atividade médica , é uma inversão dos papéis .Uma substituição total da anamnese e suspeitas diagnósticas pela solicitação de uma gama de exames diagnósticos , alguns sem indicação outros que adicionariam pouco ao diagnóstico se uma boa história fosse colhida.
Anamnese vem do Grego ANAMNESIS, “lembrança, ato de trazer à mente”, formada por ANA-, “para trás”, mais a raiz de MIMNEKESTHAI, “recordar, fazer lembrar”. Ou seja é pelas informações colhidas que vamos pensar , nos lembrar das possibilidaes diagnósticas para  os sintomas referidos pelo paciente
Parte dos frequentadores deste blog, assim como eu ,tivemos durante sua formação contato com os preciosos ensinamentos de Dr CARLOS GERALDO , e dentre estes um que gosto muito e uso como pilar em minha atividade clínica é saber  COMO A DOENÇA CHEGA PARA VOCÊ!” ou seja saber qual o modo que as doenças se apresentam,  e isto só é possivel com a história clínica , é muito dificil conseguir apenas com exames complementares, vou trazer exemplo prático. Eu como pneumologista diante de uma radiogrfia  de tórax com um infiltrado alveolar no lobo inferior do pulmão esquerdo  o que posso pensar? Bom penso nas condições de preenchimento alveolar: transudato, exsudato, células neoplásicas, material de depósito com em doenças ocupacionais , ou sangue- então para estreitar entre estas possibilidades vou precisar de dados clínicos,e vou mais alem , se nesta mesma radiografia  eu tiver  certeza que o achado é por pneumonia, memso assim tenho que saber se este é o primeiro episódio, se por exemplo já aconteceram  outros episódios de infecção sempre no mesmo lobo para pensar em alterações estruturias neste lobo: bronquiectasias, sequestro pulmonar, etc, ou obstrução endobronquica neste lobo- neoplasia, corpo estranho; ou se outros episódios infeciosos foram com infiltrados em outros lobos- imunodeficiências congênitas ou adquiridas ou ainda se  o infiltrado é migratório- pensar em síndromes eosinofilicas, vasculites . Todas estas possibilidaes só serão levantadas se , volto a repetir, for colhida uma boa história clínica.
Os radiologistas  e patologistas que laudam seus exames fazendo suposições diagnósticas, indo alem do laudo descirrtivo dos achados, estes sempre pedem aos clínicos que quando solicitem os exames mandem dados de história para poder realizar o raciocínio diagnóstico, ou seja até quem trabalha com estes exames complementares sabem da importância da história clínica.
Para finalizar , solicitação de uma “bateria de exames diagnóstios” sem ter feito uma anamnense adequada e ter desenvolvido um racicinio diagnóstico prévio, é atira no escuro e até pode acertar ou também  nos distanciar bastante do alvo, e me fez lembra um jargão bastante batido porem sempre atual da prática médica: “quem não sabe o que procura  não reconhece o que acha”.
LUCIANO LARANJEIRA
Muito bem ! Vale lembrar que 70% dos diagnósticos podem ser obtidos a partir da história clinica. Ela, mais até que o exame físico, é que traz os elementos mais importantes ao diagnostico.
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