“Stones”

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Imagem e caso clínico enviada para este blog por Dr Leandro C Oliveira ( nefrologista.)

Paciente masculino,  39 anos, agricultor,  admitido em serviço de Hemodiálise, com história de infecção urinaria de repetição. Em outubro /2013, cursou com  infecção urinaria, realizou exame de imagem, sendo evidenciado múltiplo cálculos renais bilaterais e vesical, associado a alteração da função renal e dilatação pielo calicial,  sendo submetido à nefrolitotomia direita( retirada de cálculos da imagem acima). Atualmente, paciente  em hemodiálise regular e aguardando em fila de transplante renal.

 

 

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O Tempo Dos Anestesistas.

Texto de Nila Costa.

É o tempo do espaço

image069É o tempo onde corpos estão sendo modificados e eles estão atentos para esta verdade

Estão atentos também para a verdade dos seus propósitos

É o tempo de uma tríade estabelecida entre a vida, o outro, e os seus próprios pensamentos.

Muitas vezes também é o momento oportuno para uma leitura que se estabelece na atenção em tudo que o cerca…

Sua função é abater o corpo da dor de estar vivo enquanto sofre uma transformação. Cuidar de um corpo como se fosse a única coisa que aquele ser possui em sí, pois esta é a sua máxima possibilidade naquele momento. Aquele corpo merece respeito e é por este motivo que ele existe ali – para honrar aquela parte do ser. E é naquele tempo que muitas vezes se percebe a vida em sua expressão mais radical.

O tempo do anestesista paira entre um mundo e outro. Há momentos em que tudo esta calmo e ele pode olhar para sua vida – nada mais há para fazer por mais algum tempo naquela sala escura e fria. Escura e fria pela ausência de sol. Então muitas vezes eles podem se dedicar a prática da leitura.

Tenho a fantasia de que os anestesistas gostam de ler. Isso por causa de uma amiga anestesista que já leu mais livros durante o seu trabalho do que fosse possível para qualquer outra pessoa trabalhando ( talvez os bibliotecários também possam estar incluídos nesta categoria …) ; porque o tempo do anestesista é longo. E curto. É uma intersecção entre três mundos e esta habilidade trapézica de estar em três lugares ao mesmo tempo só pode ser conferida a poucos.

Conheço alguns anestesistas muito cultos. A maioria o é. Não sei se porque podem ler mais ou se porque possuem esse dom que a profissão lhes conferiru:  trabalhar com o sono do corpo, um estado indistinto do ser humano, o sonho induzido, quando se monitora a linha tênue da solidão. Esta solidão compartilhada os transforma em seres interessantes. Nada fazem e tudo realizam para que a ação em si possa ser consumada. Demiurgos do outro. E de si mesmos, enfim.

Então que seja doce, como diz Caio*, que seja doce mil vezes por dia, este estado tripartite das verdades da vida, onde o sono profundo do outro os lembra a sua própria inconsciência; o labor ativo e pragmático de um segundo sobre a superfície física do corpo inerte e insconsciente os convoca para o ato da vida no aqui e no agora. E há ele, o terceiro incluído, que maestra entre os campos da existência de um( paciente) mergulhado no inconsciente e de outro(cirurgião), contemplando seu trabalho braçal. Talvez seja um dos atos médicos que mais se aproxime filosoficamente da meditação: estar atento sempre, atuando e compreendendo o funcionamento de quase tudo. Certamente uma visão mais ampliada do mundo.

*Caio Fernando Abreu no texto “Os dragões não conhecem o paraíso”.

Cópia de images

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