Teste de Esforço

ECG enviados por Carlindo Marques, residente de Cardiologia do Instituto Dante Pazzanese.

 

Comentário de Fábio Soares

Belo registro eletrocardiográfico.
Bom, partimos de um ECG de repouso inocente, sem alterações de ondaT, segmento ST, sinais de pré-excitação ventricular ou sobrecarga ventricular. Qualquer destes presentes dificultaria a análise do segmento ST no teste de esforço.
No traçado do pico do esforço (aos 6min), apesar de baixa carga (2,5mph e 12% de elevação), nota-se infradesnivelamento do segmento ST retificado em múltiplas derivações. Um achado bastante sugestivo de coronariopatia grave (triarterial / lesão de tronco ou equivalente). Não temos a idade do paciente nem sua frequencia submáxima/máxima fornecida. Observa-se pouco incremento na elevação da pressão arterial, e inclusive uma discreta queda da PAD. Não há relato de sintomas.
No pós esforço (suponho que repouso passivo), observa-se incremento do infradesnivelamento do segmento ST, agora com característica descendente, Conforme a atual diretriz de ergometria:
“Presença de segmento ST infradesnivelado com morfologia descendente =2 mm, com duração igual ou superior a 5 minutos na recuperação, em cinco ou mais derivações, em indivíduo com capacidade funcional menor que 6 MET é considerado um mau prognóstico e/ou doença multiarterial.”
Além disso, chama MUITO a atenção o supradesnivelamento do segmento de ST na derivação aVR. Antes tão menosprezada… Sabe-se que a associação de supradesnivelamento do segmento ST associado a infradesnivelamento ST em V5-V6 tem forte correlação com estenose significativa em DA e CD. Vide artigo 2011 do DERC:
“…o aparecimento concomitante de elevação do segmento ST induzida pelo exercício em V1, elevação do segmento ST em aVR e infradesnível de ST em V5, bem como o aspecto isolado de elevação do segmento ST em V1, pode detectar estenoses significativas na DA, como doença de um único vaso, ou estenoses significativas das artérias Cx e DA em pacientes com duplas lesões, enquanto que o aparecimento da elevação do segmento ST em aVR e infra de ST em V5, mas sem elevação do segmento ST em V1, correlaciona-se fortemente com lesão significativa na DA e CD e normalmente indicam lesões bi-arteriais.”

 

Carlindo Marques 
JAN 25, 2013 

Só mais alguns dados. 69 anos. recuperacao ativa. pcte assitomatico antes durante e apos exame. atingiu frequencia submaxima e foi injetado o MIBI neste momento ( TE com MIBI), mas para surpresa de todos, a cintilografia desse paciente não mostrou isquemia. Nem outros sinais que indicariam por exemplo um triaarterial balanceado como queda de FE, aumento do TID ou reducão do espessamento miocardico à cintilografia. E o exame pode ser considerado confiavel ja que o paciente atingiu fc submáxima e teve alteraçoes de ecg compativeis com isquemia, como ja foi citato brilhantemente acima. caso bem intrigante !!!!

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Neurofibromatose.

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